terça-feira, 26 de maio de 2015

Breve História de Vovó Benta


Negra esbelta, de sorriso sorrateiro e conquistador, de requebrado insinuante, andava pelo casarão deixando no ar o cheiro do manjericão. Cantarolando, sempre faceira atiçava o desejo, nos negros e também nos brancos. Não passou despercebida do olhar do patrão, sinhozinho cujos dotes de beleza também assanhavam aquela negrinha. E assim, depois de uma primeira vez, foi inevitável que todas as noites ele a procurasse na senzala. Não era só um desejo, mas além do corpo que ardia ao vê-la, seu coração estava emaranhado num sentimento ao qual ele negava.
Foram anos de encontros furtivos, aos quais a sinhazinha fingia não ver. E muitos abortos, num dos quais a negrinha desencarnou.
Haveria de renascer em muito pouco tempo no mesmo lugar. Negrinha doente, que sobreviveu à morte da mãe no parto. Muito cedo aprendeu a benzer e ali estava uma negra curandeira. Parteira requisitada, não tinha hora para atender, até o dia em que, para salvar uma escrava das mãos do feitor, levou uma paulada nas costas e aleijou. Andou o resto de sua vida agachada e com fortes dores, mas nem por isso deixava de salvar vidas. Desencarnou cega e arqueada, porém feliz.
Mas havia muito a ressarcir na contabilidade do céu. Por isso, juntou-se às bandas de Aruanda e como preta velha desce à crosta para ajudar a curar e aconselhar. Precisou de um aparelho cujo comprometimento fosse adequado às suas energias, para que juntas possam aprender que é curando as feridas alheias, que as nossas cicatrizam.
De galho verde na mão e muito amor no coração, Vó Benta visita seu aparelhinho, baixando-lhe as costas e transferindo um pouco da dor que sentiu na carne para que este saiba que a humildade se faz necessária. Seu alvo avental, ao final do trabalho está sempre cheio de nós, que ela faz, para desfazer aqueles que os filhos de fé trazem até ali. No final da noite, junta-se aos irmãos e volta para Aruanda, até que a próxima lua a traga novamente cantando:

 Vem chegando Vovó Benta**
Benzedeira de Aruanda
Com seu galhinho de Arruda
Vem benzer filho de Umbanda....

* Leni Winck Saviscki, autora dos causos que compõem este capítulo, médium que manifesta o espírito que se apresenta como Vovó Benta – Benfeitora Espiritual** que atua na linha dos Pretos  Velhos

História de Pai João

                                                                             
  “Saiba, ó filho meu...
Que existiu uma época muito distante, em que o calendário não registrou nos anais da história da terra, um povo entre as diversas raças humanas que passaram, como estrelas espalhadas no firmamento, sábio e culto, filosófico e sonhador...
Sonhavam em retornar ao seu lar sidério, situado entre as estrelas da constelação do Cocheiro...
e por isso, os mais dotados espiritualmente, insistiam em olhar o céu e suspiravam de saudade...
A lua com seu raio argênteo, espraiava-se sobre as encostas setentrionais daquela região onde hoje se encontra Madagascar, há muitos e milhares de anos...
O homem sagrado bordejava a orla do mar, e em seu caminhar contemplava a imensidão dos astros notívagos e suspirava com seu olhar marejado, as constelações como se quisesse ler no misterioso livro do céu o futuro de seu povo...
Alto e esguio, de compleição delicada, olhos brilhantes e profundos, Nalmyskar, o sacerdote do templo de Obhaluayê perscrutava as conjunções do céu para compreender os vaticínios que chegaram através de seus sonhos, com relação aos acontecimentos prestes á desabar sobre seu país...
Com seu cajado na mão direita, permanecia de pé ao som do mar e á luz dos espaços infinitos, e assim permaneceu por longas horas, em contemplação silenciosa...
Revia o sonho e cada parte triste...o povo inteiro seria colocado á prova por desprezar a grande lei de zambi! E agora os Araxás através de seus sonhos anunciavam a grande tragédia que se abateria sobre todos como remissão dos pecados...
A sabedoria milenar há muito fora deturpada por sacerdotes corrompidos, que se deixaram levar pelos ouropéis e vaidades humanas, patrocinando verdadeiras orgias, descambando para a magia negra...
Triste sina de um povo que já foi a aurora de uma civilização grandiosa!
Muitos serão banidos, degredados, irão para longe de seus lares, como escravos de uma raça que não tardaria em surgir no horizonte, em busca de conquista e ouro.
Famílias inteiras separadas, genocídio, depravação e miséria seria o castigo deste povo orgulhoso e vingativo que ousou contrariar as leis sagradas dos Araxás...a sagrada lei de zambi!
Os grandes e brilhantes olhos do sacerdote derramavam copiosas lágrimas, vertidas de seu coração sincero, pois guardava as leis sagradas e vivia de acordo com os mais altos ensinamentos de sua escola de iniciação. Sabia que voltaria para seu lar sidério, para a sua amada estrela situada na constelação do Cocheiro, mas e o seu povo? Voltaria á vê-los? Aqueles que ficavam, que atraíram para si os olhos enérgicos dos Araxás?
Enquanto assim permanecia, não percebeu sublime Entidade postada á seu lado, que lhe observava com profundo amor e carinho.
Uma brisa fresca roçou seu rosto magro e escuro como ébano, e uma voz se fez ouvir, como que vinda da distância que ele mesmo contemplava da sua saudosa estrela...
“...Nalmyskar! o grande Zambi te abençoa através dos sagrados Araxás!
Trago-te a promessa de que, tão logo seu povo sinta o braço pesado e longo do carma, você retornará para cumprir missão junto aos teus mais caros afetos!
Numa terra que ainda está por ser descoberta, muito além mar, tu irás voltar para o seio do povo que tanto amas, e assim auxiliá-lo na difícil missão de retornarem aos braços de Zambi, através da dor e do sofrimento. Os Grande Senhores da Aumbhandhã, os Mestres da Luz Primaz ouviram tuas preces, abençoado sacerdote, pois que tu guardaste a lei de Zambi em seu coração!
Retornarás  como Guia de uma futura religião que está para nascer nas terras do Cruzeiro do Sul,e inspirarás com teu exemplo de humildade os teus filhos deserdados...
Serás conhecido como Pai João do Congo por muitas gerações que te sucederão ao longo da jornada que ora se inicia em tua experiência íntima, e terás a alegria de ver voltar ao aprisco do amor de Zambi muitos de teus filhos desgarrados, que com teu amor, com tua dedicação e humildade irás inspirar aos dias melhores no futuro...
Por agora descansa, prepara teu espírito para as horas amargas que se abaterão, logo que a lua mude seu ciclo, para alertar mais uma  vez teu povo das severas lições que lhe aguardam! Paz e Luz, Nalmyskar, abençoado dos Araxás!”
Com os olhos marejados, e profundamente emocionado, o velho sacerdote retornou a passos lentos em direção de sua aldeia, enquanto a lua, em seu zênite parecia compartilhar com a tristeza do velho ancião...
  (João B.G.Fernandes)

EXU DAS MATAS

Guardião chefiado por Exu Rei das Matas. Comanda todos os Exus que trabalham no verde ou locais que tenham árvores (à não ser de cemitérios, pois pertence a outro reino).
Líder de falange, trabalha tanto para Oxóssi como para Ossâim. Tem seu ponto de força firmado em matas fechadas ou à beira de lago circulado por verde.
Quando ele está incorporado observa tudo a sua volta, costuma falar mais do que ouve pois já observou a pessoa que irá conversar.
É muito evidente o seu extinto de caçador, mostra-se muito ágil quando incorporado lembrando jovens índios caçadores, porém ao falar nos passa a impressão de ser um velho sábio, assim como um grande Pajé.
Exu das Matas é conhecedor dos mistérios das ervas, raízes, sementes, folhas, flores e frutos.
Costuma ensinar o preparo dos banhos, chás, pós, óleos para a cura da alma e do corpo.
Exige dos seus filhos o estudo religioso, a disciplina e o respeito com o próximo, pois costuma dizer que nada adianta a entidade ter o conhecimento se o cavalo esta despreparado como ser humano e como médium para auxiliar.
Não admite traição e mentiras.

Agora, não se esqueça de pedir licença quando adentrar a Mata de Oxossi, pois ela tem um Guardão.

Laroiê, Exu das Matas! Ê Mogibá!
Eu te saúdo, Exu das Matas! Te presto reverência!


Alan Barbieri

CIGANA CRISTAL

A respeito da Cristal- sabemos que é uma grande Falange desta Cigana
a quem trato de Eliana, é uma Cigana menina, que desencarnou por conta de uma grave infecção generalizada, desde cedo.

A partir dos nove anos de idade, Cristal tinha vidências e previa o futuro, muitas vezes desastrosas das pessoas que a cercavam.

Até os vinte e dois anos de idade, viveu o tormento dessa Mediunidade, morando e vivendo em vários lugares.

Considerando seu apreço à beira mar e as àguas dos rios.

Seus Médiuns geralmente são pessoas sencinveis, medrosas e sujestionadas.

Quem carrega a Cigana Cristal, deve se preocupar em trabalhar a alta estima, pois são muito influenciada, pela opinião de quem as cercam.

Quanto ao seu Clã, Ela mesmo não se permite falar.

Daí Ela canta assim:

Foi numa noite de lua
Noite de lua cheia
Ele seduziu a mulher
E a mulher a Ele se entregou
Antes que a lua se deitasse no horizonte
Antes que o dia amanhecesse
Iniciaram a minha existência
Mas como não se amavam
Me fizeram
Sou filha da paixão
E vivo a paixão

Sem perfume vêm do mato, das ervas que seduzem.

Sua cor preferida é o rosa, suas jóias sempre prateadas ou de ouro branco, com pedras de topázio.

Amados, estou falando da Cristal, que conheço, não querendo dizer com isso, que conheço todos os Espíritos da Falange da Cigana Cristal.

PELO ESPIRITO PHILLERMON - TRANSCRITO PELO MÉDIUM ALEX DE OXÓSSI

CIGANO PEDROVICK

É um cigano guerreiro, que desmancha magias negativas, adora o azulão e sempre traz na mão uma pena de pavão. Essa ave é a preferida desse cigano. Quando o pavão arma sua cauda, ele diz:

- Está desmanchada a magia negativa.

Sua fruta predileta é a manga-espada; é com ela que faz suas magias. Pedrovik tem um jogo que poucos conhecem: com quatro caroços de manga, ela fala do passado, presente e do futuro.

O cigano Pedrovik adora contemplar o Sol.

Ele tem uma reza que afasta os inimigos do caminho. Pedrovik não perdoa a quem ofende seus amigos – á ai que ele se torna possesso.

Do caroço da manga, ele faz um pó que sopra quando o vento é forte- essa é a magia contra os inimigos.

O cigano Pedrovik tem um mistério ligado à gruta de são Bartolomeu, onde estão o fundamento e a magia da mãe-cobra que é o arco-íris.

As pessoas que moram em São Salvador sabem certinho onde é esse lugar.

Retirado do Livro: Mistérios do Povo Cigano

Autoras: Ana da Cigana Natasha

Edileuza da Cigana Nazira

CIGANA SUNAKANA

A rainha Sunak é a rainha do ouro.

Usa saia feita com lenços das cores amarelo-claro, amarelo-ouro e amarelo-queimado.

Usa uma flor amarela natura ou rosas amarelas de pano, com brilho.

Sua tiara, que sai da altura das orelhas e faz um circulo em volta da cabeça, é uma trança de fitas em vários tons de amarelo, com fitas amarelas penduradas.

No pulso esquerdo leva um lenço semelhante a essa trança.

Uma blusa amarelo-claro, de mangas bufantes e com um babado em pontas no decote.

Leva um pandeiro enfeitado de fitas amarelas.

Suas jóias são um cordão com moedas amarelas penduradas, muitas pulseiras e anéis, uma argola de ouro e no tornozelo, uma corrente de ouro com um topázio

Essa cigana tem olhos castanhos esverdeados e cabelos castanhos claros cacheados.

Sua pele é morena clara, tem as mãos bem longas com dedos compridos e usa unhas longas e sempre bem cuidadas, não pintadas de vermelho, e, sim, de rosa claro.

Essa cigana é a dona das patacas (moedas) de ouro.

É protetora do ouro e da barriga das mulheres. Em Cuba, existe uma procissão de Nossa Senhora de lá Regra, onde Sunakana foi batizada nos rituais ciganos.

Seu dia é 08 de maio e ela é uma das favoritas de Santa Sara.

Amigos nos ajude a dar créditos a quem o fez por merecer, infelizmente desconheço o AUTOR

CIGANA DALILA E CIGANO MICHEL

 CASAL CIGANO

DALILA

Dalila....era uma bela cigana. Prometida a Michel desde o nascimento.

Viveu e morreu por ele.

Conhecedora das cartas e do futuro.

Não conseguiu prever o seu próprio destino.

Amada por todos e por Mauro, irmão de Michel .

Dalila não aceitava seu amor e viu a morte de Mauro nas cartas.

Prometida a Michel , o perdeu no dia do casamento

O jovem cigano foi ferido mortalmente vitima de uma tocaia de seus desafetos..

Porém...perto do fim..

.Michel e Dalila uniram o sangue e encontraram-se na espiritualidade

MICHEL

Homem de muitas mulheres, Michel perdeu a vida pelos seus deslizes.

O preferido do pai...era invejado pelos irmãos.

Estava escrito nas cartas,

Que não era de Mauro o irmão mais velho, o reino dos ciganos...

Duvidaram, mas estava escrito

Enfim o jovem Michel...esqueceu as mulheres e as noitadas

E tornou-se um verdadeiro cigano, após a morte do irmão mais velho

Que ele lutara para salvar.

Mas morrera em seus braços

Porém...pouco tempo teve ele para reinar...

Seu passado o perseguiu e a morte o encontrou.

Porém ele pode dizer a cigana que seu desejo era viver com ela para sempre

E assim fazem eles, vindo ao terreiro unidos pelo amor e pela fé.

Amigos, sou suspeito para falar dessas duas entidades de luz, mas só quem viu pode afirmar a pureza desta incorporação.

Eles chegam de mãos dadas, atendem seus filhos e partem como vieram, de mãos dadas.

Que Santa Sara continue iluminando o casal cigano

Psicografado pela medium Patricia Cavazzana da Silva

(Obrigado irmão  Gil por sua ajuda)

Sítio Cercado: Rua dos Pioneiros, antes da implantação do Linhão do Emprego e do Circular Sul - Ano de 1996.

  Sítio Cercado: Rua dos Pioneiros, antes da implantação do Linhão do Emprego e do Circular Sul - Ano de 1996.